Quem somos, ou o que somos?

Como seres pertencentes a natureza e tudo o que ela proporciona, nascemos, utilizamos todos os recursos que a existência possibilita e ao final, como todo ser vivo, morremos e somos consumidos pela terra, e aquilo que fomos durante tanto tempo volta a ser parte da natureza de alguma forma. Retornamos à terra, viramos pó. Como costumam dizer, do pó viemos e para o pó voltaremos.

Certamente que aspectos de como levamos a jornada de nossa existência nos diferencia dos animais e do restante da vida que habita este planeta, mas ao final das contas, não somos tão diferentes assim, pois o fim de tudo o que aqui vive é o mesmo. Iremos morrer. E o que ficará de nós? O que restará daquilo que fomos? Afinal, é apenas isso a vida?

Não entendo a vida olhando apenas sob essa perspectiva, mas acredito que há muito mais sobre ela que não sabemos, e o pouco que temos consciência é apenas a ponta do iceberg no que diz respeito à existência e ao infinito.

Mas antes de me ater a falar sobre coisas das quais talvez não consiga provar com veemência, vale refletir sobre o que, dentro dessa existência, nesse ciclo de nascer, crescer, viver (ou sobreviver) e morrer, tem a nos ensinar sobre o que de fato somos: seres humanos.

Cada conjunto de seres tem dentro de suas comunidades, suas regras e normas de funcionamento que lhes garante a sobrevivência e a perpetuação de suas espécies, e não é diferente com os seres humanos. A questão é que, sendo dotados de uma capacidade de raciocínio que nos leva a sentir, pensar, agir e fazer diferente dos animais, até mesmo aqueles de origem genética mais próxima de nós, tornamos os rumos de nossa civilização para direções inimagináveis e em muitos momentos dessa jornada, agimos contrários à natureza. 

Matamos uns aos outros por vingança, mentimos, roubamos, agredimos, humilhamos, somos intolerantes, individualistas e consumistas, ao ponto de sermos egoístas com o mundo ao nosso redor para satisfazer as nossas vontades e desejos mais absurdos. Não precisa de ciência aqui para justificar ou dar valor científico para essa afirmação. É uma verdade, claro que não generalista, mas basta parar e observar o nosso contexto por alguns instantes, e veremos o quanto nosso ecossistema, aquele mesmo ao nosso entorno, está manchado de ignorância, vaidade e soberba, e o quanto de péssimos atributos encontraremos em pessoas tão próximas, muitas vezes, até aquelas pela qual temos imensa consideração, e inclusive em nós mesmos.

Enxergar isso não necessariamente significa olhar o lado ruim das coisas, mas nos darmos conta do quanto isso influencia as nossas vidas particulares e interfere até mesmo nos pensamentos que temos sobre nós mesmos. Afinal de contas, não chegamos a este mundo sozinhos, foi necessário todo um contexto para que aqui estivéssemos e para que nos tornássemos quem somos agora.

A questão é o quanto nos distanciamos da natureza e do sentimento e ação de ser coletivo, ao ponto de em determinados momentos, a frieza e a dureza no coração reverberarem de dentro para fora e de fora para dentro. É uma decisão individual olhar para isso e ter a atitude de fazer diferente. Quanto mais respeitamos a natureza e as outras pessoas, se esforçando para viver mutuamente em sincronismo e sinergia, nos aproximamos mais do que somos e de quem somos, tornando-nos mais humanos, empáticos e cuidadosos com tudo o que nos cerca neste plano.

Acredito que todos os problemas do mundo tenham solução, embora não exista mágica para que isto ocorra. Iremos nos aproximar cada vez mais de uma evolução como sociedade, a partir do momento em que individualmente tomarmos para si as responsabilidades de nossas vidas e do meio que nos envolve, buscando minimizar os impactos que nossa existência provoca. Não conseguiremos eliminar esses impactos, mas podemos retribuir ao mundo com outras formas que compensem a moléstia da desordem que causamos. Não falo apenas das questões materiais, mas também em relação aos nossos pensamentos e sentimentos, sobre nós, os outros e o todo.

É necessário fortalecer o senso do ser coletivo e compreender que para tudo funcionar bem, precisamos uns dos outros (os outros não são apenas as pessoas, mas todo o contexto existencial). É uma moeda de troca. Nem sempre podemos escolher o que recebemos, mas podemos escolher aquilo que oferecemos. Se é sincero e faz bem ao próximo, é válido.

Independente do que há após a morte ou antes da vida, ou o rumo que daremos em nossos dias aqui neste mundo, em qualquer esfera que nossas ações podem alcançar, seja internamente em nós ou externamente ao mundo, a bondade continuará sendo um simples, porém importante pilar que sustenta e manterá a ordem e a evolução. Seja bom!

Eis aqui uma chave para uma grande revolução.

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