Sobre sucesso

 


Somos seres dotados de desejos, vontades, sonhos e virtudes. Cada pessoa, em sua singularidade, carrega consigo alguma força para lutar por aquilo que considera importante, para si e para os que a cercam. Quantas vezes paramos para idealizar, ou até fantasiar como realidade, algo que muito desejamos para a vida? E quantas vezes gastamos horas a fio planejando, executando, nos empenhando para alcançar o êxito em algo que nos é afável ao coração?

Falar sobre sucesso aqui não tem a pretensão de defini-lo, tampouco apresentar uma receita ou um manual sobre como alcançá-lo. Sucesso é algo próprio de cada ser, e os recursos necessários para alcançá-lo também são únicos, conforme os objetivos de cada um.

Para cada pessoa, sucesso tem um significado diferente. Para alguns, pode ser formar uma família, construir um negócio, tornar-se pai ou mãe, ter um relacionamento saudável, conquistar patrimônio. Para outros, sucesso pode ser garantir o sustento da família, concluir uma formação superior, curar-se de uma enfermidade ou vício, ou mesmo ter o que comer e vestir. Por isso, é fundamental enxergar o sucesso como algo individual e respeitar o contexto de cada um.

Mas como falar de sucesso em um mundo tão complexo como o nosso, sem tornar essa busca algo egoísta ou desvinculado do coletivo?

Enquanto alguns ostentam recursos que às vezes nem lhes pertencem, outros mal têm o alimento necessário para saciar a fome. É um dilema dos nossos tempos: a tecnologia avança a passos largos, enquanto os princípios básicos da dignidade humana parecem se esvair. Não apenas a dignidade humana, mas também o respeito ao que nos cerca. Vivemos uma crise em diferentes dimensões: sociais, ambientais, ideológicas...

Há saída para o caos do sistema, mas ela não é simples, nem imediata. A complexidade da existência humana tomou proporções imensas. Mas voltemos ao sucesso, há um ponto importante a destacar.

Ao refletirmos sobre pessoas que nos inspiram com suas histórias de sucesso, sejam elas próximas ou figuras públicas, antigas ou contemporâneas, há sempre um elemento em comum: alguém que se propõe como protagonista de uma realização importante, para si ou para os outros. E aí entra um detalhe essencial: o outro.

Para ilustrar isso, pensemos em um ser bem menor do que nós: a formiga.

As formigas, que pesam cerca de 500 miligramas (em média), conseguem carregar até 50 vezes seu próprio peso. Mais impressionante que isso, porém, é sua capacidade de organização, disciplina, trabalho em equipe e cooperação. Elas trabalham não só por si, mas pelo coletivo. Esse espírito coletivo garante sua sobrevivência e perpetuação como espécie. É um exemplo poderoso, que nos convida a refletir.

Não existe sucesso individual se não houver sucesso coletivo.

Ajudar o outro a alcançar o sucesso é uma tarefa nossa, em diferentes aspectos da vida. Começa em nós e se estende às pessoas ao nosso redor. Assim como as formigas contribuem para o bem-estar da colônia, seres humanos constroem um mundo melhor quando ajudam outros a também prosperar. E aqui, vale lembrar: sucesso não é, necessariamente, uma conquista material.

Sucesso é construção. Exige esforço, tempo, paciência. Para darmos nossos primeiros passos, alguém segurou nossas mãos, torceu por nós, vibrou com nossas pequenas conquistas. Alguém investiu em nós.

A cooperação é uma ferramenta poderosíssima de transformação. É uma mola propulsora para o êxito de qualquer iniciativa. E cooperar nem sempre exige algo grandioso, às vezes, é apenas uma palavra, um gesto, uma escuta.

Em tempos de individualismos e egoísmos, pensar sobre sucesso é também refletir sobre como podemos ser a ponte para o sucesso de alguém, ao mesmo tempo em que alguém é ponte para o nosso.

Se formos construir paredes, que sejam para abrigo e elevação, com portas e janelas largas. Mas tão tão importante quanto construir paredes, é construir pontes. Ou ser uma.


No coletivo, o sucesso do outro é também o nosso sucesso.


Foto disponível em: https://blog.cobasi.com.br/coletivo-de-formigas/

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