Zona de conforto no individualismo: É bom para quem?

Não há nada de mal em estar na zona de conforto, pois naturalmente, nós estamos inclinados a buscar o conforto de vivenciar um ambiente em que nos sentimos seguros e que temos a projeção de um futuro que nos garanta uma estabilidade em todos os aspectos que envolvem a nossa vida. 

Isso envolve tudo, desde o lar, os relacionamentos diversos, a profissão e por aí vai. 

Sentir segurança é uma das necessidades que fazem parte do escopo da vida humana. É bom ter com o que, e com quem contar em todas as situações. 

O conforto é acolhedor, nos abraça e de alguma forma nos dá a firmeza de que tudo estará ou vai ficar bem.

Porém, a vida, em sua essência não para em nenhum momento, assim, ela sempre se manifesta com mudanças que afetam o todo. Tudo evolui e tudo muda constantemente.

Já notou que nem mesmo as estações do ano são as mesmas de ciclo em ciclo ao longo dos últimos anos? Claro, há uma grande parcela de responsabilidade da nossa interferência nesse processo. 

Ao observar a vida através da teoria da evolução, até as espécies tiveram transformações significativas ao longo da jornada. 

Segundo dados da Fiocruz, a expectativa de vida humana em 1900 era de 32 anos, e nos tempos atuais alcançou algo em torno de 73 anos. É uma grande diferença de como a vida humana evoluiu para continuar a existir depois de um século. Ao mesmo tempo que isso avança, é estranho notar que a extinção da fauna e da flora avançou consideravelmente ao longo do tempo.

Embora não seja a pauta, não estamos em extinção, porém nossos semelhantes morrem por falta de alimento, água e acesso a serviços básicos de sobrevivência em todas as partes do mundo.

E nesse processo contínuo, toda ação gera uma reação, seja positiva ou negativa, justamente por que há uma ordem natural da vida para se organizar ao ponto de atingir um equilíbrio. Toda natureza funciona a partir disso. Mas nós, temos a capacidade de tomar decisões diferentes da ordem natural das coisas, e isso impacta não só nosso contexto pessoal, mas todo o complexo que envolve e nutre o nosso existir. 

Ter a consciência dos nossos atos em toda essa esfera nos leva a refletir sobre a nossa atuação em todo o meio e dado a complexidade do que a vida humana se tornou, com suas ciências diversas, como exemplo política, economia ou religião, nos deparamos com grandes dilemas difíceis de se resolver em unanimidade.

Chegamos ao ponto de que, dificilmente chegaremos a um consenso coletivo sobre como a ordem deve funcionar, e deve haver respeito em todas as diferenças certamente. Logo, nos resta repensar as decisões individuais que tomamos em nossa vida e que podem afetar direta ou indiretamente o meio em que vivemos.

Acredito em todas as causas possíveis, sejam sociais, ambientais, dos direitos humanos e do desenvolvimento da espécie humana, mas, antes de tudo, acredito que há uma oportunidade gigantesca de repensarmos e mudarmos de atitude desde já sobre nós mesmos e como nos relacionamos com o meio que estamos inseridos. 

Voltamos aqui a questão da zona de conforto. É confortável para quem? Para qual propósito e qual objetivo? Onde isso irá nos levar e por qual propósito nos levará?

Cada vez mais demonstramos uma sociedade individualista [as pessoas furam fila ou interferem em processos por ordem de chegada ou prioridade para levar algum tipo de vantagem sobre o outro, mesmo que não pareça nada de mal], o que é reflexo do comportamento coletivo. Cada vez mais por si mesmos, pelos seus próprios interesses e aspirações, mesmo que estejam atreladas a necessidades essenciais que deveriam estar disponíveis para todos.

Tenho minhas preocupações sobre onde isso nos levará. A ordem natural das coisas não funciona exatamente assim, embora cada um cumpra seu papel, há um regência sincronizada para o todo. 

Levando em consideração todo o caos, seja pessoal ou coletivo que a vida humana se encontra, qual a luz no fim do túnel que se apresenta como projeção para os próximos passos de nossas vidas?

Não apresento aqui respostas científicas ou dados concretos sobre este assunto. Há diversos caminhos possíveis que podemos explorar e comprovar, e que não dependem apenas de uma única figura ou de uma única ação. A vida humana não funciona assim. A ação individual soma-se ao coletivo.

Porém, trago aqui uma reflexão sobre aquilo que está ao nosso alcance. O que podemos fazer de nossa existência que irá refletir em nosso meio e colaborar com o todo que trará algum sentido para nossas vidas, mesmo que isso não seja a solução completa de todos os problemas?

É preciso sair do comodismo da zona de conforto de olhar só para si, e compreender que funcionamos no coletivo. Todas as nossas ações refletem imediatamente no funcionamento do todo, por mais simples que pareçam, como jogar qualquer lixo na rua. 

Se isso já tem um impacto significativo, ao somar o comportamento de um todo, imagina as palavras e comportamentos que apresentamos todos no ato de existir? 

Quer algo mais prático? Como podemos ser melhores em nosso pensar e agir? Como podemos ser melhores com aqueles que nos rodeiam nos diferentes papéis que executamos? Como podemos ser melhores a nós mesmos?

O esforço individual pela construção de um mundo melhor começa nas instâncias mais íntimas de nossa existência, no nosso eu interior. Se dedicarmos tempo a isso, já começamos uma grande revolução. Primeiro em nós, depois no que nos rodeia. 

Lembre-se, a vida existe para evoluir e restabelecer o equilíbrio. Qual o seu papel nisso, seja em qual esfera for?


Imagem disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55106089

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